Ave maluca que pousou sozinha Na praia triste, e debicava a espuma
Que uma onda deixou,
O bando olhou-a lá do céu que tinha,
Viu-a perder as horas uma a uma,
E voou.
Era um trigal inteiro que acenava
À prática avidez do seu destino!
Ficasse quem comia solidão.
Ficasse singular quem desejava,
Peregrino,
Na flor das vagas encontrar o pão.
Miguel Torga
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